Guia · Renda fixa · Brasil e Europa

Renda fixa: você é a banqueira

Quem me deve? Como me paga? Quando me paga?

Por Caroline Aneli Martins, CNPI, aprovada nos níveis I e II do CFA 12 minAtualizado em
Resposta curta

Toda a renda fixa do planeta cabe numa frase: você empresta e cobra juros por isso. CDB, Tesouro, bond, obrigação, debênture são nomes diferentes para o mesmo contrato. Para ler qualquer um deles, bastam três perguntas: quem me deve, como me paga e quando me paga. Este guia te dá essa régua e depois abre a prateleira comentada, no Brasil e na Europa.

A vida inteira te ensinaram a tomar empréstimo: cartão, financiamento, crediário. Na renda fixa você troca de cadeira. Governos, bancos e empresas fazem fila para pegar o seu dinheiro emprestado, e os juros passam a correr para você, não contra você. Esse é o contrato mais antigo e mais testado da humanidade, e você está entrando do lado certo dele.

1. A régua: emissor, indexador, prazo

Qualquer título de renda fixa do mundo, de um CDB de banco do interior a um título do governo alemão, se descreve com três critérios. Só três.

Quem me deve?

Emissor. Governo, banco ou empresa. Em geral, dentro de uma mesma moeda e jurisdição, os títulos soberanos de boa qualidade de crédito funcionam como referência de menor risco; bancos e empresas acrescentam risco de crédito próprio. O emissor define a chance de você não receber.

Como me paga?

Indexador. Pós-fixado, prefixado ou híbrido. É o assunto da seção 3.

Quando me paga?

Prazo. Curto, médio ou longo. Quanto mais longo, mais risco você carrega e mais prêmio deve exigir.

O detector de cilada

Ninguém te paga retorno por bondade. Cada risco que você aceita carregar tem um prêmio: de crédito, de prazo, de liquidez. Se um título paga muito acima dos irmãos dele, está carregando um desses riscos a mais. Sua tarefa é achar qual.

Renda fixa não é “onde rende mais”. Renda fixa é onde você sabe quem te deve, e cobra por isso.

2. A fila do calote

Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?

Por que o governo paga menos que o banco, e o banco menos que a empresa? Pense no pior cenário, o calote, e pergunte quem tem mais ferramentas para nunca dar um.

  1. 1
    Governo

    Pode aumentar tributos, emitir a própria moeda e, no limite, tem o FMI de plano B. Dentro da sua moeda, é a referência de menor risco e o piso das taxas do país. Entre países, a conversa muda: um governo emergente pode ter mais risco que uma multinacional AAA.

  2. 2
    Banco

    Um degrau acima no risco, mas com rede embaixo. No Brasil, o FGC garante até R$ 250 mil por CPF por instituição (teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos). Na Europa, a garantia de depósitos cobre até € 100 mil por pessoa por banco (no Reino Unido, £ 120 mil por pessoa, por instituição autorizada, via FSCS).

  3. 3
    Empresa

    O degrau que mais paga, porque não tem garantidor nenhum. Quem te protege aqui é a análise (seção 5) e a diversificação.

3. As três famílias: pós, pré e híbrido

Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?

Todo título responde a uma pergunta: como o seu dinheiro vai render? No mundo inteiro, só existem três respostas.

FamíliaComo rendeBrasilEuropaPara que serve
Pós-fixadoAcompanha a taxa básica do momento, dia a dia. Se o juro sobe, rende mais; se cai, rende menos. Nunca “fica velho”.Tesouro Selic, CDB 100% do CDIConta remunerada que segue o BCE, fundos money marketReserva de emergência e curto prazo
PrefixadoTaxa travada no dia da compra. Você sabe, no centavo, quanto recebe no vencimento.Tesouro Prefixado, CDB prefixadoQuase todo bond tradicional (cupom fixo)Meta com data marcada
HíbridoInflação mais um juro real travado. Seja qual for a inflação, você recebe ela inteira mais o combinado.Tesouro IPCA+, CDB IPCA+Inflation-linked bonds (“linkers”)Aposentadoria e longo prazo

A regra da casa: primeiro o objetivo, depois o título. Nunca o contrário. E repare num detalhe que muda a leitura para quem está na Europa: a prateleira europeia é majoritariamente prefixada. Por isso a próxima seção não é opcional.

4. A gangorra: por que o preço balança e o fluxo não

Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?

Você comprou uma passagem de avião por mil reais. Duas semanas depois, a mesma passagem está em promoção por setecentos. A sua “vale menos”. Em alta temporada, a mesma rota a mil e quinhentos: a sua virou raridade. Mas repare: o seu voo não mudou, o seu assento continua garantido. O que muda todo dia é o preço da passagem, não a viagem.

Um título de renda fixa é exatamente isso. O preço de mercado muda todos os dias. Os fluxos prometidos pelo título não mudam, desde que o emissor honre o contrato. Isso é a marcação a mercado.

O que move a gangorra

Juro sobe, preço do título velho cai. Juro cai, preço do título velho sobe. Se o seu título paga 10% e os novos pagam 12%, o seu precisa ficar mais barato para competir.

E quem balança um título de dez anos não é a Selic de hoje: é o juro de dez anos que o mercado cobra. O mercado se antecipa.

Quanto balança: a conta de padaria

Essa sensibilidade tem nome: duration, e está na lâmina de todo fundo e ETF de renda fixa. A régua mental é duration vezes a mudança da taxa: um título com duration perto de 10 anos pode cair perto de 10% se a taxa relevante subir 1 ponto, e subir perto de 10% se ela cair 1 ponto. Não é uma conta exata, mas é uma ótima régua.

Pós-fixado quase não balança. Pré e híbrido curtos balançam pouco. Longos balançam muito.

O preço balança. O fluxo contratado, não: ele depende só de quem te deve honrar a palavra.

5. Rating: da Chanel ao brechó

Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?

Como saber se quem te deve vai pagar? As agências de rating (S&P, Moody's e Fitch) dão notas aos emissores. A sopa de letrinhas fica simples se você pensar numa vitrine de marcas.

NotaA vitrineO que significa
AAA a BBB-Da Chanel à PradaGrau de investimento. Emissores sólidos; a chance de calote é baixa. O núcleo mais defensivo do crédito.
BB+ a BDa Miu Miu à ZaraGrau especulativo (high yield). Continua sendo renda fixa, mas paga mais porque assusta. Consulte o rating soberano atual do seu país para saber em que andar ele está.
CCC a DO brechóEmissor em dificuldade ou já em calote.

Três regras ILG para a seleção de títulos individuais (não são leis do mercado, são o nosso critério): abaixo de BB, nem olha. Na escala brasileira, a nota tem o prefixo “br” (brAAA é AAA entre as brasileiras, com o teto soberano por cima). E high yield, se entrar, entra só via fundo ou ETF, nunca papel a papel: ninguém escolhe o calote que vai dar, a cesta escolhe estatisticamente por você.

6. A prateleira do Brasil

Para quem investe do Brasil

A fila do calote aplicada à prateleira da sua corretora, degrau a degrau.

Degrau 1 · Tesouro Direto

Você empresta ao governo federal pela internet, a partir de poucos reais. A corretora é só a porta: o título fica registrado no seu CPF na B3, então se a corretora tiver um problema, o título não some com ela.

TítuloFamíliaPara que costuma servirSacolejo
Tesouro SelicPósReserva de emergência e curto prazoQuase zero (um único mês negativo em duas décadas)
Tesouro ReservaPósReserva com resgate via Pix praticamente 24/7Desenhado para render 100% da Selic sem apresentar perda no resgate
Tesouro PrefixadoPréMeta com data; aposta mais concentrada na queda de jurosPouco se curto, muito se longo
Tesouro IPCA+HíbridoAposentadoria e metas longas; o título do poder de compraPouco se curto, muito se longo
Tesouro RendA+HíbridoAposentadoria com saída programada: 240 parcelas mensais corrigidas pela inflaçãoComo o IPCA+; custódia zero para quem leva até o fim
Tesouro Educa+HíbridoFaculdade da filha: 60 parcelas mensais corrigidasComo o IPCA+; custódia zero para quem leva até o fim

Custos e impostos, sem sustos: IR regressivo só sobre o rendimento (22,5% até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias), cobrado no resgate, no vencimento ou no cupom. IOF só nos primeiros 30 dias. Sem come-cotas. Custódia da B3 de 0,20% ao ano, com isenção para os primeiros R$ 10 mil em Tesouro Selic.

Degrau 2 · Renda fixa bancária: CDB, LCI e LCA

O banco capta com você a X e empresta adiante a X+++. Por isso paga mais que o Tesouro, e vem com a rede do FGC embaixo. LCI e LCA são captações com destino carimbado (imobiliário e agro), e o governo dá o empurrão da isenção de IR para pessoa física.

O FGC de verdade

R$ 250 mil por CPF por conglomerado financeiro, incluindo principal e juros, com um teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos. Dois bancos do mesmo conglomerado dividem um limite só: antes de “diversificar de banco”, pesquise a que grupo cada um pertence. Conta de padaria: o valor aplicado, crescido até o vencimento, tem que caber nos 250 mil.

A taxa mágica

CDB de 140%, 150% do CDI não é generosidade, é sede de captação. O banco está usando a sua garantia do FGC como isca. O FGC te devolve o dinheiro; não te devolve o sono, nem as semanas de espera, nem os juros, que param de correr no dia da liquidação.

As letras miúdas da LCI/LCA

LCI e LCA não são automaticamente produtos de reserva: têm prazo mínimo e restrições de liquidez. Nas emissões sem atualização por índice de preços, o prazo mínimo regulatório hoje é de 6 meses. É lugar de meta com data. E a isenção é uma escolha política, que pode mudar para papéis novos: é o tempero, não o prato.

A conta que decide: líquido contra líquido

CDB 100% do CDI, com 15% de IR, sobra 85% líquido. Uma LCI de 90% do CDI, isenta, vence. Régua de bolso dos empates com CDB 100%: LCI de 80% até 1 ano, 82,5% de 1 a 2 anos, 85% de 2 anos em diante.

Os primos sem rede: a LF (Letra Financeira) é o “bond de banco” brasileiro, sem FGC, com entrada alta e prazo longo. A LIG (Letra Imobiliária Garantida) também não tem FGC, mas tem um lastro imobiliário apartado do patrimônio do banco e é isenta de IR. Quanto menos rede, mais a vitrine de notas vira sua melhor amiga.

Degrau 3 · Crédito privado: debêntures, CRI e CRA

Último degrau: as empresas. Sem FGC, sem garantia de governo, raramente com garantia real. Debênture é dívida de empresa; as incentivadas (infraestrutura) são isentas de IR. CRI e CRA são recebíveis imobiliários e do agro empacotados por uma securitizadora, e também são isentos para pessoa física.

Na corretora, você pode ver esses títulos marcados na curva (o contrato, a linha lisinha) ou a mercado (o preço de venda de hoje). As duas são verdadeiras. Durma pelo contrato, mas visite o preço de mercado uma vez por mês: quando o seu papel cai sem os juros terem se mexido, o mercado está avisando que o risco daquela empresa piorou, e esse aviso chega no preço antes de chegar no noticiário.

Degrau 4 · Fundos DI e ETFs de renda fixa

Fundos DI taxa zero são a porta mais prática para a reserva (liquidez D+0). O preço da conveniência é o come-cotas: a antecipação semestral de IR, em maio e novembro, que tira do seu compounding um dinheiro que ainda nem era devido. Título direto e ETF não têm.

ETFs de renda fixa são cestas de títulos negociadas na bolsa, como uma ação. Diversificam vencimentos automaticamente, podem reinvestir os fluxos recebidos dentro da carteira e não estão sujeitos ao come-cotas. Alguns exemplos citados na mentoria:

TickerNomeO que tem dentroLeia a duration
LFTB11Investo Brazil Treasury 760 Day Target DurationTesouro Selic com uma pitada de IPCA+ curto. Prazo médio desenhado para cair na alíquota de 15%.~2 anos
B5P211It Now IMA-B 5 P2Tesouro IPCA+ com vencimento em até 5 anos. Proteção contra inflação com pouco sacolejo.~2 a 3 anos
IMAB11It Now IMA-BTodos os Tesouro IPCA+, de todos os prazos. Balança mais, porque inclui os longos.~6 anos
LFTS11Investo Teva Tesouro SelicSó Tesouro Selic. Atenção: pela regra de IR dos ETFs de renda fixa por prazo médio da carteira, cai na alíquota de 25%.Curtíssima

Lista educacional, não é recomendação. Taxas e composição mudam: confira a lâmina. A alíquota de IR dos ETFs de renda fixa depende do prazo médio da carteira (15% acima de 720 dias; 25% nos de curtíssimo prazo).

Quando usar o quê: título direto quando você quer controlar o vencimento; fundo quando quer conveniência; ETF quando quer diversificação barata sem come-cotas.

7. A prateleira da Europa

Para quem investe da Europa

A mesma fila do calote, na régua europeia. Com uma diferença de fundo: com yields historicamente menores que os brasileiros, a renda fixa em euro tende a cumprir mais claramente o papel de estabilidade e preservação do que de crescimento patrimonial.

Degrau 1 · Government bonds e supranacionais

Bund (Alemanha), OAT (França), OT (Portugal), BTP (Itália), Gilts (Reino Unido), e os supranacionais como o EIB (Banco Europeu de Investimento, AAA). Também existem os produtos nacionais de poupança, como os Certificados de Aforro em Portugal e os British Savings Bonds no Reino Unido.

A anatomia de um bond

Três números na tela: o cupom (o juro fixo prometido), o preço (em % do valor de face, abaixo ou acima de 100) e o yield (o que você efetivamente ganha comprando ao preço de hoje e levando ao vencimento). Quem decide é o yield, não o cupom.

Fracionado desde € 1

Corretoras como a Trade Republic vendem bonds fracionados. Você confere yield contra cupom na própria tela antes de confirmar. E atenção à moeda: bond em libra ou franco para quem vive em euro pode ter a taxa gorda engolida pelo câmbio. Primeiro a moeda do objetivo, só depois a melhor taxa.

Degrau 2 · Bond ETFs (UCITS): a forma mais fácil

Para a maioria de nós, é por aqui que a renda fixa europeia entra na carteira. Os tipos: government, corporate, aggregate (governos e empresas juntos), high yield, inflation-linked e money market. O checklist para escolher:

Papel na carteiraExemplo (UCITS, Acc)Para que serve
Caixa / money marketXtrackers II EUR Overnight Rate Swap UCITS ETF 1C (XEON)Rende perto da taxa do BCE, dia a dia. O pós-fixado europeu; a casa da reserva.
Governos da zona do euroiShares Core € Govt Bond UCITS ETF (Acc)Cesta de títulos soberanos em euro de vários prazos. O núcleo defensivo.
Empresas investment gradeiShares Core € Corp Bond UCITS ETF (Acc)Centenas de empresas sólidas em euro. Rende um pouco mais, balança um pouco mais.
Governos e empresas juntosiShares Core € Aggregate Bond UCITS ETF (Acc)A cesta ampla da renda fixa em euro numa cota só.
Proteção contra inflaçãoiShares € Inflation Linked Govt Bond UCITS ETF (Acc)Os “linkers” europeus: o híbrido da aposentadoria, versão euro.

Exemplos educacionais, não recomendação. Confira ISIN, TER e a versão acumulativa no factsheet/KID antes de comprar. A lista completa com ISIN fica na planilha da Comunidade.

Degrau 3 · Depósitos e contas remuneradas

Conta remunerada: o saldo parado rendendo perto da taxa do BCE, com liquidez total. Depósito a prazo (term deposit; no Reino Unido, muitas vezes chamado de “fixed rate bond”, que é um depósito, não um bond negociável): você trava uma taxa por 6, 12, 24 meses. Vitrines como a Raisin comparam depósitos de bancos do continente inteiro; em Portugal, o ComparaJá. Dentro dos € 100 mil por banco, sempre. E lembre: a garantia acompanha a licença bancária, não o aplicativo.

Degrau 4 · Corporate e high yield

Muitos corporate bonds europeus têm lote mínimo de € 100 mil: foram desenhados para institucionais. Por isso, aqui a cesta vence o papel. Investment grade pode morar no núcleo defensivo, ao lado dos soberanos. High yield tem nome de renda fixa e alma de renda variável: na crise, despenca junto com as ações. Se entrar, entra pequeno e sempre via ETF.

Na renda fixa de empresas, você não é paga para ter coragem. É paga para ter critério.

8. Como a renda fixa se organiza numa carteira

Depois da prateleira, a arquitetura. A parte defensiva de uma carteira costuma ter quatro camadas, e a mesma lógica vale em reais e em euros. O que muda de perfil para perfil é a dose, não a receita.

  1. 1
    Reserva

    Pós-fixado, intocável, com liquidez imediata. Tesouro Selic ou Reserva, CDB com liquidez diária, conta remunerada ou money market na Europa.

  2. 2
    Núcleo

    O “salário futuro”: IPCA+ ou linkers e títulos de governo escalonados em vários vencimentos.

  3. 3
    Tático

    Prefixado com data, para aproveitar uma janela de juros altos com dinheiro que tem prazo.

  4. 4
    Satélite

    Crédito privado via fundo ou ETF, opcional e pequeno.

Quanto de cada camada cabe no seu caso depende do seu perfil, do seu horizonte e de onde você mora. Isso é o que se define com acompanhamento, não com uma tabela genérica.

9. Checklist: dissecando um título

Antes de apertar o botão de comprar, qualquer título, em qualquer país, passa por estas perguntas. Se uma resposta não estiver na lâmina, isso já é a resposta.

Dissecando um título
  1. 1.Quem me deve? Emissor e nota de rating. Sem rating na lâmina é red flag.
  2. 2.Como rende? Pós, pré ou híbrido. Combina com o objetivo deste dinheiro?
  3. 3.Quando recebo? Vencimento, carência, liquidez. Eu aguento esperar até lá?
  4. 4.Quem me protege? FGC, garantia de depósitos, lastro, ou ninguém. E o meu total naquela instituição cabe no limite?
  5. 5.Quanto balança? A duration. Se o juro subir um ponto, eu durmo com essa queda no extrato?
  6. 6.Quanto sobra? Líquido contra líquido: imposto, taxas, câmbio.
  7. 7.Está acima dos irmãos? Se a taxa é muito maior que a dos pares, ache o risco antes de comemorar.

Perguntas frequentes

Meu Tesouro IPCA+ está negativo no app. Eu perdi dinheiro?
Não, a não ser que você venda. O app mostra o preço de mercado de hoje; o fluxo contratado (inflação mais a taxa real que você travou) continua valendo para quem leva até o vencimento, desde que o emissor honre o contrato. Volte à seção 4: a marcação a mercado só machuca quem desce do avião no meio da turbulência.
Um CDB de 150% do CDI com FGC é almoço grátis?
Não. Banco que paga muito acima dos irmãos está com dificuldade de captar barato e usa a sua garantia como isca. O caso do Banco Master, liquidado em 2025, colocou 800 mil pessoas na fila do FGC. Quem estava dentro do limite recebeu; quem passou do limite aprendeu no bolso.
LCI isenta sempre ganha de CDB?
Não. A comparação é líquido contra líquido e depende do prazo. Régua de bolso dos empates com um CDB de 100% do CDI: LCI de 80% até 1 ano, 82,5% de 1 a 2 anos, 85% de 2 anos em diante. Acima disso, a isenta vence; abaixo, o CDB.
Moro na Europa. O “fixed rate bond” do meu banco tem garantia?
Se for um depósito a prazo (no Reino Unido, o nome “fixed rate bond” quase sempre é isso), sim, dentro do limite do fundo de garantia do país. Se for um bond negociável emitido pelo banco, não tem garantia nenhuma. Procure na documentação as palavras “eligible deposit” e “Deposit Guarantee Scheme”.
Devo comprar ETF de renda fixa distribuindo ou acumulando?
Para quem está construindo patrimônio, acumulativo (Acc): os rendimentos reinvestem automaticamente dentro do ETF, sem o trabalho de reinvestir distribuições, e, dependendo da sua residência fiscal, com o imposto sobre elas diferido. Distribuição faz sentido para quem precisa da renda agora.
Qual a diferença entre marcação na curva e a mercado?
Na curva, você vê o contrato: o valor de compra crescendo pela taxa contratada. A mercado, você vê o preço de venda de hoje. As duas são verdadeiras. Durma pelo contrato, mas espie o mercado uma vez por mês: quando o preço descola dos pares sem o juro ter mudado, é o alarme de crédito tocando.

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Aviso importante. Conteúdo exclusivamente educacional. Os títulos, fundos e ETFs citados são exemplos didáticos para você aprender a ler e classificar investimentos, e não constituem recomendação de investimento, indicação de compra ou venda, oferta ou consultoria. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura; investimentos em renda fixa envolvem riscos, inclusive de perda do capital investido. Taxas, limites de garantia e regras de tributação refletem a data de atualização indicada no topo e mudam com frequência: confira sempre a lâmina do produto e a regra vigente. Cada investidora deve avaliar o próprio perfil e os próprios objetivos antes de decidir, ou buscar uma profissional habilitada. Invest Like a Girl Ltda. Caroline Aneli Martins é consultora de investimentos registrada na CVM.

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