Toda a renda fixa do planeta cabe numa frase: você empresta e cobra juros por isso. CDB, Tesouro, bond, obrigação, debênture são nomes diferentes para o mesmo contrato. Para ler qualquer um deles, bastam três perguntas: quem me deve, como me paga e quando me paga. Este guia te dá essa régua e depois abre a prateleira comentada, no Brasil e na Europa.
A vida inteira te ensinaram a tomar empréstimo: cartão, financiamento, crediário. Na renda fixa você troca de cadeira. Governos, bancos e empresas fazem fila para pegar o seu dinheiro emprestado, e os juros passam a correr para você, não contra você. Esse é o contrato mais antigo e mais testado da humanidade, e você está entrando do lado certo dele.
1. A régua: emissor, indexador, prazo
Qualquer título de renda fixa do mundo, de um CDB de banco do interior a um título do governo alemão, se descreve com três critérios. Só três.
Quem me deve?
Emissor. Governo, banco ou empresa. Em geral, dentro de uma mesma moeda e jurisdição, os títulos soberanos de boa qualidade de crédito funcionam como referência de menor risco; bancos e empresas acrescentam risco de crédito próprio. O emissor define a chance de você não receber.
Como me paga?
Indexador. Pós-fixado, prefixado ou híbrido. É o assunto da seção 3.
Quando me paga?
Prazo. Curto, médio ou longo. Quanto mais longo, mais risco você carrega e mais prêmio deve exigir.
O detector de cilada
Ninguém te paga retorno por bondade. Cada risco que você aceita carregar tem um prêmio: de crédito, de prazo, de liquidez. Se um título paga muito acima dos irmãos dele, está carregando um desses riscos a mais. Sua tarefa é achar qual.
Renda fixa não é “onde rende mais”. Renda fixa é onde você sabe quem te deve, e cobra por isso.
2. A fila do calote
Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?
Por que o governo paga menos que o banco, e o banco menos que a empresa? Pense no pior cenário, o calote, e pergunte quem tem mais ferramentas para nunca dar um.
- 1Governo
Pode aumentar tributos, emitir a própria moeda e, no limite, tem o FMI de plano B. Dentro da sua moeda, é a referência de menor risco e o piso das taxas do país. Entre países, a conversa muda: um governo emergente pode ter mais risco que uma multinacional AAA.
- 2Banco
Um degrau acima no risco, mas com rede embaixo. No Brasil, o FGC garante até R$ 250 mil por CPF por instituição (teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos). Na Europa, a garantia de depósitos cobre até € 100 mil por pessoa por banco (no Reino Unido, £ 120 mil por pessoa, por instituição autorizada, via FSCS).
- 3Empresa
O degrau que mais paga, porque não tem garantidor nenhum. Quem te protege aqui é a análise (seção 5) e a diversificação.
3. As três famílias: pós, pré e híbrido
Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?
Todo título responde a uma pergunta: como o seu dinheiro vai render? No mundo inteiro, só existem três respostas.
| Família | Como rende | Brasil | Europa | Para que serve |
|---|---|---|---|---|
| Pós-fixado | Acompanha a taxa básica do momento, dia a dia. Se o juro sobe, rende mais; se cai, rende menos. Nunca “fica velho”. | Tesouro Selic, CDB 100% do CDI | Conta remunerada que segue o BCE, fundos money market | Reserva de emergência e curto prazo |
| Prefixado | Taxa travada no dia da compra. Você sabe, no centavo, quanto recebe no vencimento. | Tesouro Prefixado, CDB prefixado | Quase todo bond tradicional (cupom fixo) | Meta com data marcada |
| Híbrido | Inflação mais um juro real travado. Seja qual for a inflação, você recebe ela inteira mais o combinado. | Tesouro IPCA+, CDB IPCA+ | Inflation-linked bonds (“linkers”) | Aposentadoria e longo prazo |
A regra da casa: primeiro o objetivo, depois o título. Nunca o contrário. E repare num detalhe que muda a leitura para quem está na Europa: a prateleira europeia é majoritariamente prefixada. Por isso a próxima seção não é opcional.
4. A gangorra: por que o preço balança e o fluxo não
Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?
Você comprou uma passagem de avião por mil reais. Duas semanas depois, a mesma passagem está em promoção por setecentos. A sua “vale menos”. Em alta temporada, a mesma rota a mil e quinhentos: a sua virou raridade. Mas repare: o seu voo não mudou, o seu assento continua garantido. O que muda todo dia é o preço da passagem, não a viagem.
Um título de renda fixa é exatamente isso. O preço de mercado muda todos os dias. Os fluxos prometidos pelo título não mudam, desde que o emissor honre o contrato. Isso é a marcação a mercado.
O que move a gangorra
Juro sobe, preço do título velho cai. Juro cai, preço do título velho sobe. Se o seu título paga 10% e os novos pagam 12%, o seu precisa ficar mais barato para competir.
E quem balança um título de dez anos não é a Selic de hoje: é o juro de dez anos que o mercado cobra. O mercado se antecipa.
Quanto balança: a conta de padaria
Essa sensibilidade tem nome: duration, e está na lâmina de todo fundo e ETF de renda fixa. A régua mental é duration vezes a mudança da taxa: um título com duration perto de 10 anos pode cair perto de 10% se a taxa relevante subir 1 ponto, e subir perto de 10% se ela cair 1 ponto. Não é uma conta exata, mas é uma ótima régua.
Pós-fixado quase não balança. Pré e híbrido curtos balançam pouco. Longos balançam muito.
O preço balança. O fluxo contratado, não: ele depende só de quem te deve honrar a palavra.
5. Rating: da Chanel ao brechó
Quem me deve?Como me paga?Quando me paga?
Como saber se quem te deve vai pagar? As agências de rating (S&P, Moody's e Fitch) dão notas aos emissores. A sopa de letrinhas fica simples se você pensar numa vitrine de marcas.
| Nota | A vitrine | O que significa |
|---|---|---|
| AAA a BBB- | Da Chanel à Prada | Grau de investimento. Emissores sólidos; a chance de calote é baixa. O núcleo mais defensivo do crédito. |
| BB+ a B | Da Miu Miu à Zara | Grau especulativo (high yield). Continua sendo renda fixa, mas paga mais porque assusta. Consulte o rating soberano atual do seu país para saber em que andar ele está. |
| CCC a D | O brechó | Emissor em dificuldade ou já em calote. |
Três regras ILG para a seleção de títulos individuais (não são leis do mercado, são o nosso critério): abaixo de BB, nem olha. Na escala brasileira, a nota tem o prefixo “br” (brAAA é AAA entre as brasileiras, com o teto soberano por cima). E high yield, se entrar, entra só via fundo ou ETF, nunca papel a papel: ninguém escolhe o calote que vai dar, a cesta escolhe estatisticamente por você.
6. A prateleira do Brasil
A fila do calote aplicada à prateleira da sua corretora, degrau a degrau.
Degrau 1 · Tesouro Direto
Você empresta ao governo federal pela internet, a partir de poucos reais. A corretora é só a porta: o título fica registrado no seu CPF na B3, então se a corretora tiver um problema, o título não some com ela.
| Título | Família | Para que costuma servir | Sacolejo |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | Pós | Reserva de emergência e curto prazo | Quase zero (um único mês negativo em duas décadas) |
| Tesouro Reserva | Pós | Reserva com resgate via Pix praticamente 24/7 | Desenhado para render 100% da Selic sem apresentar perda no resgate |
| Tesouro Prefixado | Pré | Meta com data; aposta mais concentrada na queda de juros | Pouco se curto, muito se longo |
| Tesouro IPCA+ | Híbrido | Aposentadoria e metas longas; o título do poder de compra | Pouco se curto, muito se longo |
| Tesouro RendA+ | Híbrido | Aposentadoria com saída programada: 240 parcelas mensais corrigidas pela inflação | Como o IPCA+; custódia zero para quem leva até o fim |
| Tesouro Educa+ | Híbrido | Faculdade da filha: 60 parcelas mensais corrigidas | Como o IPCA+; custódia zero para quem leva até o fim |
Custos e impostos, sem sustos: IR regressivo só sobre o rendimento (22,5% até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias), cobrado no resgate, no vencimento ou no cupom. IOF só nos primeiros 30 dias. Sem come-cotas. Custódia da B3 de 0,20% ao ano, com isenção para os primeiros R$ 10 mil em Tesouro Selic.
Degrau 2 · Renda fixa bancária: CDB, LCI e LCA
O banco capta com você a X e empresta adiante a X+++. Por isso paga mais que o Tesouro, e vem com a rede do FGC embaixo. LCI e LCA são captações com destino carimbado (imobiliário e agro), e o governo dá o empurrão da isenção de IR para pessoa física.
O FGC de verdade
R$ 250 mil por CPF por conglomerado financeiro, incluindo principal e juros, com um teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos. Dois bancos do mesmo conglomerado dividem um limite só: antes de “diversificar de banco”, pesquise a que grupo cada um pertence. Conta de padaria: o valor aplicado, crescido até o vencimento, tem que caber nos 250 mil.
A taxa mágica
CDB de 140%, 150% do CDI não é generosidade, é sede de captação. O banco está usando a sua garantia do FGC como isca. O FGC te devolve o dinheiro; não te devolve o sono, nem as semanas de espera, nem os juros, que param de correr no dia da liquidação.
As letras miúdas da LCI/LCA
LCI e LCA não são automaticamente produtos de reserva: têm prazo mínimo e restrições de liquidez. Nas emissões sem atualização por índice de preços, o prazo mínimo regulatório hoje é de 6 meses. É lugar de meta com data. E a isenção é uma escolha política, que pode mudar para papéis novos: é o tempero, não o prato.
A conta que decide: líquido contra líquido
CDB 100% do CDI, com 15% de IR, sobra 85% líquido. Uma LCI de 90% do CDI, isenta, vence. Régua de bolso dos empates com CDB 100%: LCI de 80% até 1 ano, 82,5% de 1 a 2 anos, 85% de 2 anos em diante.
Os primos sem rede: a LF (Letra Financeira) é o “bond de banco” brasileiro, sem FGC, com entrada alta e prazo longo. A LIG (Letra Imobiliária Garantida) também não tem FGC, mas tem um lastro imobiliário apartado do patrimônio do banco e é isenta de IR. Quanto menos rede, mais a vitrine de notas vira sua melhor amiga.
Degrau 3 · Crédito privado: debêntures, CRI e CRA
Último degrau: as empresas. Sem FGC, sem garantia de governo, raramente com garantia real. Debênture é dívida de empresa; as incentivadas (infraestrutura) são isentas de IR. CRI e CRA são recebíveis imobiliários e do agro empacotados por uma securitizadora, e também são isentos para pessoa física.
Na corretora, você pode ver esses títulos marcados na curva (o contrato, a linha lisinha) ou a mercado (o preço de venda de hoje). As duas são verdadeiras. Durma pelo contrato, mas visite o preço de mercado uma vez por mês: quando o seu papel cai sem os juros terem se mexido, o mercado está avisando que o risco daquela empresa piorou, e esse aviso chega no preço antes de chegar no noticiário.
Degrau 4 · Fundos DI e ETFs de renda fixa
Fundos DI taxa zero são a porta mais prática para a reserva (liquidez D+0). O preço da conveniência é o come-cotas: a antecipação semestral de IR, em maio e novembro, que tira do seu compounding um dinheiro que ainda nem era devido. Título direto e ETF não têm.
ETFs de renda fixa são cestas de títulos negociadas na bolsa, como uma ação. Diversificam vencimentos automaticamente, podem reinvestir os fluxos recebidos dentro da carteira e não estão sujeitos ao come-cotas. Alguns exemplos citados na mentoria:
| Ticker | Nome | O que tem dentro | Leia a duration |
|---|---|---|---|
| LFTB11 | Investo Brazil Treasury 760 Day Target Duration | Tesouro Selic com uma pitada de IPCA+ curto. Prazo médio desenhado para cair na alíquota de 15%. | ~2 anos |
| B5P211 | It Now IMA-B 5 P2 | Tesouro IPCA+ com vencimento em até 5 anos. Proteção contra inflação com pouco sacolejo. | ~2 a 3 anos |
| IMAB11 | It Now IMA-B | Todos os Tesouro IPCA+, de todos os prazos. Balança mais, porque inclui os longos. | ~6 anos |
| LFTS11 | Investo Teva Tesouro Selic | Só Tesouro Selic. Atenção: pela regra de IR dos ETFs de renda fixa por prazo médio da carteira, cai na alíquota de 25%. | Curtíssima |
Lista educacional, não é recomendação. Taxas e composição mudam: confira a lâmina. A alíquota de IR dos ETFs de renda fixa depende do prazo médio da carteira (15% acima de 720 dias; 25% nos de curtíssimo prazo).
Quando usar o quê: título direto quando você quer controlar o vencimento; fundo quando quer conveniência; ETF quando quer diversificação barata sem come-cotas.
7. A prateleira da Europa
A mesma fila do calote, na régua europeia. Com uma diferença de fundo: com yields historicamente menores que os brasileiros, a renda fixa em euro tende a cumprir mais claramente o papel de estabilidade e preservação do que de crescimento patrimonial.
Degrau 1 · Government bonds e supranacionais
Bund (Alemanha), OAT (França), OT (Portugal), BTP (Itália), Gilts (Reino Unido), e os supranacionais como o EIB (Banco Europeu de Investimento, AAA). Também existem os produtos nacionais de poupança, como os Certificados de Aforro em Portugal e os British Savings Bonds no Reino Unido.
A anatomia de um bond
Três números na tela: o cupom (o juro fixo prometido), o preço (em % do valor de face, abaixo ou acima de 100) e o yield (o que você efetivamente ganha comprando ao preço de hoje e levando ao vencimento). Quem decide é o yield, não o cupom.
Fracionado desde € 1
Corretoras como a Trade Republic vendem bonds fracionados. Você confere yield contra cupom na própria tela antes de confirmar. E atenção à moeda: bond em libra ou franco para quem vive em euro pode ter a taxa gorda engolida pelo câmbio. Primeiro a moeda do objetivo, só depois a melhor taxa.
Degrau 2 · Bond ETFs (UCITS): a forma mais fácil
Para a maioria de nós, é por aqui que a renda fixa europeia entra na carteira. Os tipos: government, corporate, aggregate (governos e empresas juntos), high yield, inflation-linked e money market. O checklist para escolher:
| Papel na carteira | Exemplo (UCITS, Acc) | Para que serve |
|---|---|---|
| Caixa / money market | Xtrackers II EUR Overnight Rate Swap UCITS ETF 1C (XEON) | Rende perto da taxa do BCE, dia a dia. O pós-fixado europeu; a casa da reserva. |
| Governos da zona do euro | iShares Core € Govt Bond UCITS ETF (Acc) | Cesta de títulos soberanos em euro de vários prazos. O núcleo defensivo. |
| Empresas investment grade | iShares Core € Corp Bond UCITS ETF (Acc) | Centenas de empresas sólidas em euro. Rende um pouco mais, balança um pouco mais. |
| Governos e empresas juntos | iShares Core € Aggregate Bond UCITS ETF (Acc) | A cesta ampla da renda fixa em euro numa cota só. |
| Proteção contra inflação | iShares € Inflation Linked Govt Bond UCITS ETF (Acc) | Os “linkers” europeus: o híbrido da aposentadoria, versão euro. |
Exemplos educacionais, não recomendação. Confira ISIN, TER e a versão acumulativa no factsheet/KID antes de comprar. A lista completa com ISIN fica na planilha da Comunidade.
Degrau 3 · Depósitos e contas remuneradas
Conta remunerada: o saldo parado rendendo perto da taxa do BCE, com liquidez total. Depósito a prazo (term deposit; no Reino Unido, muitas vezes chamado de “fixed rate bond”, que é um depósito, não um bond negociável): você trava uma taxa por 6, 12, 24 meses. Vitrines como a Raisin comparam depósitos de bancos do continente inteiro; em Portugal, o ComparaJá. Dentro dos € 100 mil por banco, sempre. E lembre: a garantia acompanha a licença bancária, não o aplicativo.
Degrau 4 · Corporate e high yield
Muitos corporate bonds europeus têm lote mínimo de € 100 mil: foram desenhados para institucionais. Por isso, aqui a cesta vence o papel. Investment grade pode morar no núcleo defensivo, ao lado dos soberanos. High yield tem nome de renda fixa e alma de renda variável: na crise, despenca junto com as ações. Se entrar, entra pequeno e sempre via ETF.
Na renda fixa de empresas, você não é paga para ter coragem. É paga para ter critério.
8. Como a renda fixa se organiza numa carteira
Depois da prateleira, a arquitetura. A parte defensiva de uma carteira costuma ter quatro camadas, e a mesma lógica vale em reais e em euros. O que muda de perfil para perfil é a dose, não a receita.
- 1Reserva
Pós-fixado, intocável, com liquidez imediata. Tesouro Selic ou Reserva, CDB com liquidez diária, conta remunerada ou money market na Europa.
- 2Núcleo
O “salário futuro”: IPCA+ ou linkers e títulos de governo escalonados em vários vencimentos.
- 3Tático
Prefixado com data, para aproveitar uma janela de juros altos com dinheiro que tem prazo.
- 4Satélite
Crédito privado via fundo ou ETF, opcional e pequeno.
Quanto de cada camada cabe no seu caso depende do seu perfil, do seu horizonte e de onde você mora. Isso é o que se define com acompanhamento, não com uma tabela genérica.
9. Checklist: dissecando um título
Antes de apertar o botão de comprar, qualquer título, em qualquer país, passa por estas perguntas. Se uma resposta não estiver na lâmina, isso já é a resposta.
- 1.Quem me deve? Emissor e nota de rating. Sem rating na lâmina é red flag.
- 2.Como rende? Pós, pré ou híbrido. Combina com o objetivo deste dinheiro?
- 3.Quando recebo? Vencimento, carência, liquidez. Eu aguento esperar até lá?
- 4.Quem me protege? FGC, garantia de depósitos, lastro, ou ninguém. E o meu total naquela instituição cabe no limite?
- 5.Quanto balança? A duration. Se o juro subir um ponto, eu durmo com essa queda no extrato?
- 6.Quanto sobra? Líquido contra líquido: imposto, taxas, câmbio.
- 7.Está acima dos irmãos? Se a taxa é muito maior que a dos pares, ache o risco antes de comemorar.
Perguntas frequentes
- Meu Tesouro IPCA+ está negativo no app. Eu perdi dinheiro?
- Não, a não ser que você venda. O app mostra o preço de mercado de hoje; o fluxo contratado (inflação mais a taxa real que você travou) continua valendo para quem leva até o vencimento, desde que o emissor honre o contrato. Volte à seção 4: a marcação a mercado só machuca quem desce do avião no meio da turbulência.
- Um CDB de 150% do CDI com FGC é almoço grátis?
- Não. Banco que paga muito acima dos irmãos está com dificuldade de captar barato e usa a sua garantia como isca. O caso do Banco Master, liquidado em 2025, colocou 800 mil pessoas na fila do FGC. Quem estava dentro do limite recebeu; quem passou do limite aprendeu no bolso.
- LCI isenta sempre ganha de CDB?
- Não. A comparação é líquido contra líquido e depende do prazo. Régua de bolso dos empates com um CDB de 100% do CDI: LCI de 80% até 1 ano, 82,5% de 1 a 2 anos, 85% de 2 anos em diante. Acima disso, a isenta vence; abaixo, o CDB.
- Moro na Europa. O “fixed rate bond” do meu banco tem garantia?
- Se for um depósito a prazo (no Reino Unido, o nome “fixed rate bond” quase sempre é isso), sim, dentro do limite do fundo de garantia do país. Se for um bond negociável emitido pelo banco, não tem garantia nenhuma. Procure na documentação as palavras “eligible deposit” e “Deposit Guarantee Scheme”.
- Devo comprar ETF de renda fixa distribuindo ou acumulando?
- Para quem está construindo patrimônio, acumulativo (Acc): os rendimentos reinvestem automaticamente dentro do ETF, sem o trabalho de reinvestir distribuições, e, dependendo da sua residência fiscal, com o imposto sobre elas diferido. Distribuição faz sentido para quem precisa da renda agora.
- Qual a diferença entre marcação na curva e a mercado?
- Na curva, você vê o contrato: o valor de compra crescendo pela taxa contratada. A mercado, você vê o preço de venda de hoje. As duas são verdadeiras. Durma pelo contrato, mas espie o mercado uma vez por mês: quando o preço descola dos pares sem o juro ter mudado, é o alarme de crédito tocando.
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Aviso importante. Conteúdo exclusivamente educacional. Os títulos, fundos e ETFs citados são exemplos didáticos para você aprender a ler e classificar investimentos, e não constituem recomendação de investimento, indicação de compra ou venda, oferta ou consultoria. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura; investimentos em renda fixa envolvem riscos, inclusive de perda do capital investido. Taxas, limites de garantia e regras de tributação refletem a data de atualização indicada no topo e mudam com frequência: confira sempre a lâmina do produto e a regra vigente. Cada investidora deve avaliar o próprio perfil e os próprios objetivos antes de decidir, ou buscar uma profissional habilitada. Invest Like a Girl Ltda. Caroline Aneli Martins é consultora de investimentos registrada na CVM.