Radar ILG · Edição #45 · FIIs

FIIs de papel vs FIIs de tijolo: qual escolher em 2026?

Um framework prático para decidir a composição da sua carteira de fundos imobiliários de acordo com seu perfil.

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Carol Martins
Fundadora · ILG
10 min26 mar 2026

Toda vez que os juros sobem, recebo a mesma pergunta: “Carol, devo trocar meus FIIs de tijolo por FIIs de papel?” E a minha resposta, honesta, é: não. Não porque uma coisa seja melhor que a outra, mas porque a pergunta está mal formulada.

FIIs de papel e FIIs de tijolo não competem entre si. Eles fazem coisas diferentes dentro da sua carteira, e a decisão certa raramente é “trocar um pelo outro” — é calibrar quanto você tem de cada um em relação ao resto.

Como eu penso cada um

FIIs de papel (CRIs, LCIs) são basicamente renda fixa com roupa de fundo imobiliário. Eles te pagam dividendos que acompanham o CDI ou a inflação, e o preço da cota tende a oscilar pouco. Use-os quando você quer renda previsível e não se importa de não ter exposição a imóveis de verdade.

FIIs de tijolo (shoppings, lajes corporativas, logística) são uma aposta no ciclo imobiliário e no fluxo de aluguéis reais. Eles sofrem mais com juros altos porque o mercado reprecifica o valor dos imóveis — mas em compensação, quando os juros caem, eles podem entregar retornos de capital interessantes além do dividendo.

A pergunta melhor

Em vez de “qual dos dois?”, eu me pergunto:

  • Quanto da minha carteira pode ficar em algo que oscila mais (tijolo)?
  • Quanto precisa ser previsível (papel)?
  • Qual é o meu horizonte? Se é longo, tijolo paga bem. Se é curto, papel faz sentido.

Na minha carteira pessoal, a divisão hoje está em torno de 60% tijolo / 40% papel. Não é uma regra — é o resultado de eu ter horizonte longo e de conseguir dormir bem mesmo quando o tijolo desvaloriza 10% num mês ruim.

Dividend yield é o resultado, não o atalho.

O erro que eu vejo mais

A maior bobagem que eu vejo as pessoas fazerem é usar os dividendos de FII como métrica única. “Este paga 13%, aquele paga 8%, vou no de 13%.” Isso é um jeito rápido de acumular FIIs de má qualidade com dividend yield artificialmente inflado por vacância ou inadimplência.

O atalho é entender o ativo: quem gere, qual é o portfólio, qual é a taxa de ocupação, como está a dívida. Depois do atalho, o yield faz sentido.

Um beijo,
Carol

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Aviso importante. Este conteúdo tem propósito exclusivamente educacional e não constitui recomendação personalizada de investimento. Caroline Aneli Martins é profissional certificada pela CVM. As opiniões expressas refletem a visão da autora no momento da publicação e podem mudar sem aviso. Conversem com suas profissionais de confiança antes de tomar qualquer decisão financeira.